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Corpo, mente e espírito

O que faz você ser você?

01/02/18 - Escrito por: ines

Você já parou para pensar o que faz você ser você? Há diversos fatores que influenciam nossa personalidade e nosso comportamento. Alguns deles são inatos, outros adquiridos através da convivência com grupos ou a sociedade. Mas há também aqueles que você pode controlar diretamente através de sua alimentação e do seu estilo de vida: são os neurotransmissores.

Neurotransmissores são substâncias químicas presentes no cérebro e que permitem aos neurônios (células do cérebro) comunicarem-se uns com os outros. Estas conexões são fundamentais para todos os processos cerebrais, pois eles determinam o funcionamento do cérebro, incluindo a formação de nossos pensamentos, sentimentos e comportamentos.

Os principais neurotransmissores são: dopamina, serotonina, acetilcolina e GABA.

Dopamina

A dopamina é seu principal agente de motivação, prazer e recompensa. Ela controla tua vontade de querer fazer certas coisas, de se empolgar com certas coisas e de te impulsionar a fazer certas coisas. Se você tem dificuldade de terminar tarefas ou mesmo de começa-las, isto configura um padrão de baixa atividade da dopamina. A disfunção da dopamina é também a principal responsável por comportamentos que levam a vícios e dependência de drogas.

Serotonina

A serotonina influencia fortemente seu sentimento geral de bem-estar. Baixa atividade da serotonina deixa as pessoas incapazes de sentir alegria e felicidade. Assim, este neurotransmissor é frequentemente associado à depressão.

Acetilcolina

Este neurotransmissor é responsável por sua memória. Perda de memória, lentidão em processos mentais, dificuldade de compreensão ou em reconhecer direções são sintomas comuns de atividade deficiente da acetilcolina. Este neurotransmissor é o mais associado à demência senil.

GABA

O ácido gama-aminobutírico (GABA) é o principal neurotransmissor inibitório que contribui para acalmar o cérebro. Se seus níveis de GABA não estiverem balanceados, você pode sofrer de mente inquieta (que nunca para), sentimentos de medo e/ou de estar sobrecarregado com tudo e falta de atenção. Esta substância é associada à ansiedade.

Inflamação crônica do cérebro

O bom desempenho de cada um destes neurotransmissores é fundamental para o funcionamento adequado do organismo e para o sentimento de bem-estar geral. A causa mais comum para falhas em sua atividade é  uma inflamação crônica do cérebro. Esta provoca uma comunicação deficiente entre os neurônios e pode levar a sintomas como lentidão mental (brain fog em tradução livre), depressão, ansiedade, incapacidade de concentração, fadiga, perda de libido. Se não tratada, a inflamação crônica promove uma perda contínua de tecido cerebral, e esta degeneração pode contribuir para a demência, Alzheimer’s e outras disfunções neuro-degenerativas.

A boa notícia é que o cérebro responde extremamente bem a medidas simples e efetivas para brecar e reverter o processo inflamatório e degenerativo. Quanto antes você as adotar, melhor você estará cuidando dele para que continue operando otimamente mesmo aos 70, 80 ou 90 anos.

Como otimizar seus neurotransmissores

Para evitar ou reverter a inflamação de seu cérebro, é preciso adotar boas práticas:

  1. Alimentação –  a boa alimentação é aquela baseada em alimentos pouco ou nada processados, em seu estado natural ou próximo dele (cozimento ou congelamento são mini-processamentos permitidos), de preferência orgânicos (cultivados sem agrotóxicos), com prioridade para vegetais (frutas e hortaliças), sem negligenciar proteína animal (carnes brancas e vermelhas e laticínios, de preferência de animais criados a pasto) e gorduras saudáveis, como manteiga, óleo de coco, azeite de oliva extra-virgem, etc. Evite ou reduza também os alimentos que aumentam muito a glicose no sangue, como os carboidratos refinados contidos em pães, bolos, massas, biscoitos, sorvetes, doces, barrinhas de cereais, sucos (mesmo os naturais), refrigerantes, bebidas alcoólicas, etc. Coma colorido – vegetais em todas as cores do arco-iris proporcionam vitaminas e anti-oxidantes que a comida industrializada perdeu.
  2. Exercícios – mexa-se no seu dia-a-dia, sempre que possível. Suba escadas em vez de usar o elevador, ande a pé em vez de usar veículos, pratique jardinagem, lave o carro você mesmo/a, carregue suas compras, passe mais tempo em pé (por exemplo trabalhando com seu notebok em cima de uma bancada) e menos tempo sentado/a. Pratique atividade física 3 vezes por semana, escolhendo uma modalidade esportiva que lhe dê prazer. Há opções com ou sem música, ao ar livre ou na academia, em grupo ou individualmente, na água ou no solo, etc.
  3. Sono – não economize com horas de sono. Há muitas funções que nosso organismo só consegue realizar enquanto dormimos, então dormir pouco ou mal afeta negativamente nossa saúde. Veja dicas de como melhorar seu sono.
  4. Intestino saudável – já sabia Hipócrates, o pai da medicina, que a saúde começa nos intestinos. Uma alimentação super industrializada/refinada, como fast food, salgadinhos e doces, prejudicam o microbioma intestinal ao desequilibrar a proporção entre bactérias boas e prejudiciais. Muitas comidas provocam também reações indesejáveis (não só no trato digestivo, mas no corpo todo), mais comumente as que contém gluten e laticínios. Se algo não vai bem com sua digestão, procure eliminar por 2 semanas o alimento que possa estar lhe fazendo mal e procure ajuda de nutricionista ou médico qualificado.
  5. Respiração – a respiração profunda e lenta leva mais oxigênio ao cérebro e acalma o sistema nervoso central. Oxigênio também é alimento para o organismo. Pessoas estressadas tem respiração rasa e superficial que impede a oxigenação adequada do organismo.
  6. Controle/diminuição do estresse – o estresse está relacionado a 90% de todas as doenças crônicas porque interfere profundamente em nosso funcionamento físico. O estresse não tem vida própria e é geralmente fruto de nossos pensamentos e emoções. Se você quer diminuir seu estresse, procure ajuda de um bom coach.
  7. Eliminação/diminuição de toxinas presentes no organismo – Vivemos num ambiente bastante tóxico, e os venenos estão presentes no ar, na água, na terra, nos produtos que usamos. Metais pesados que se acumulam no organismo, especialmente na gordura, causam inúmeras doenças, físicas e mentais. Se você tem algum mal difícil de diagnosticar, fale com seu médico sobre exames para detectar toxinas no organismo (incluindo parasitas nos intestinos).
  8. Equilíbrio hormonal – um equilíbrio hormonal adequado é a chave para o bom funcionamento do organismo. Como os hormônios influenciam uns aos outros, basta um deles falhar para gerar problemas. Insulina, cortisol, hormônios sexuais, hormônios da tireoide, todos se afetam mutuamente. E afetam também os neurotransmissores, já que os sistemas endócrino (que regula hormônios) e o nervoso são interligados. O melhor que se pode fazer é cuidar de todos os aspectos acima (mais detalhes AQUI) já que os hormônios e neurotransmissores estão o tempo todo  reagindo (é esta a sua função)  ao ambiente que os cerca. Então um ambiente saudável os fará saudáveis, enquanto um ambiente insalubre os fará igualmente insalubres.

Decisões e neurotransmissores

Assim sendo, as decisões que cada um de nós toma diariamente – comer um doce ou melhor uma fruta, tomar refrigerante ou não, praticar esporte ou não, ir para a cama cedo ou dar mais um tempo nas mídias sociais – impactam diretamente o nosso estado mental (e físico também). Somos fruto de nossas decisões – e decisões boas tem resultados bons, enquanto as decisões ruins tem consequências ruins. Tomando decisões acertadas você verá que saúde e bem-estar são a consequência!

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