Home / Blog / Onde as toxinas se escondem – parte II

Ambiente, Sono, Exercícios

Onde as toxinas se escondem – parte II

28/09/17 - Escrito por: ines

Além das toxinas produzidas pela ação humana (veja AQUI a parte I) há também aquelas geradas naturalmente, as biotoxinas, como o bolor e as aflatoxinas, que nem por isto fazem menos mal.

Bolor ou mofo são tipos de fungos que se alimentam de matéria orgânica em decomposição, portanto são bastante comuns em alimentos, como pães ou frutas; mas aparecem também em locais úmidos e escuros, como em paredes mal ventiladas (atrás de armários ou em locais onde haja vazamentos de água, como em baixo das pias) ou rejuntes de azulejos nos banheiros, especialmente na área dos chuveiros. O mofo tem coloração verde, azulada, vermelha ou preta e pode afetar negativamente a saúde, especialmente o sistema respiratório, mas também levar à Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica, geralmente causada por uma alta exposição a diversos tipos de toxinas, aliada a uma baixa capacidade de destoxificação de um organismo. Sintomas desta síndrome vão de fadiga a dores de cabeça e confusão mental até tosse, sinusite ou dificuldades de digestão.

Aflatoxinas são substâncias carcinógenas produzidas por alguns fungos – como o Aspergillus flavus ou parasiticus – especialmente em milho e amendoins, mas também em outros grãos e sementes.  A contaminação pode ocorrer antes ou durante a colheita, mas é mais comum durante o manuseio e armazenamento inadequados, especialmente em locais de clima quente e úmido. As aflotoxinas não são eliminadas durante o cozimento. Verifique sempre a aparência dos produtos – se não há bolor – e se não estão murchos por excesso de umidade. Armazene em local seco e fresco em sua casa.

Onde procurar as toxinas

Sem visar completude, listo a seguir algumas das substâncias químicas mais frequentemente usadas em diversos produtos:

Toxinas nas embalagens 

ProdutoOnde é usadoO que provoca
FtalatosNo plástico-filme que envolve os produtosAgente cancerígeno
Policloreto de vinila (PVC)Garrafas plásticas, embalagens de plástico rígido, brinquedos, cortinas de chuveiro e materiais de construçãoConsiderado carcinogênico pelo IARC (Agência Internacional para Pesquisas do Câncer)
Estireno, poliestirenoEmbalagens, bandejas, copos e pratos descartáveis, etc.Possível cancerígeno, deprime o sistema nervoso central
Bisfenol A e S (BPA e BPS)Em policarbonatos, embalagens metálicas e plásticas, papéis térmicosSão disruptores endócrinos

 

Toxinas em produtos de higiene pessoal e cosméticos 

ProdutoPara que é usadoO que provoca
Parabenos

 

Conservante em cosméticos, desodorantes, xampus, etc.Agente cancerígeno
Ftalatos de diversos tiposDesodorantes, perfumes, esmalte de unhas, hidratantes, perfumesAgente cancerígeno
TriclosanBactericida usado em cremes dentais, desodorantes e sabonetes antimicrobianosAgente cancerígeno, contribui para a resistência de bactérias a antibióticos
Laurilsulfato de sódioSurfactante (espumante) usado em xampus, sabonetes líquidos e basesIrrita pele, olhos e pulmão
Quando combinado com outras substâncias produz nitrosaminas
FormaldeídoConservante e bactericida usado em esmaltes de unha,  xampus, condicionadores, rimel, etc.Agente cancerígeno, causa irritação na pele e pode agredir o sistema imunológico
Tolueno ou toluol ou benzeno ou fenilmetano ou metil-benzenoSolvente usado em esmalte de unhas e tinturas para cabeloPode causar danos a fígado e rins; irrita olhos e nariz; provoca tontura, dor de cabeça, fraqueza, etc.
Glicol propilenoCondicionador da pele em hidratantes, protetores solares, xampus, condicionadores, etc.Irritante para a pele
ChumboNão é ingrediente, mas um contaminante que vem nos colorantes usados em batons e tinturas para cabeloMetal pesado altamente tóxico

 

Toxinas nos alimentos

ProdutoPara que é usadoO que provoca
Pesticidas como glifosato, atrazina, DDT, malathion, endosulfanoCombate de pragas na agriculturaDiversos tipos de câncer, depressão, desregulação hormonal, infertilidade, TDAH, defeitos de nascença, etc.; poluem as águas
Glutamato monosódico,

ácido glutâmico,  gluta-mato de potássio,  glutamato de cálcio, amônio ou  magnésio

Melhorar e acentuar o saborVicia pois ativa a secreção de dopamina, responsável pela sensação de motivação;  interfere com o hormônio leptina, que transmite saciedade; contribui para a inflamação do fígado; provoca prejuízos neurológicos em crianças
Adoçantes artificiais (ou edulcorantes):     (aspartame, glicerol, lactitol, maltitol, poli-dextrose, sacarina, HSH (hidrolisados de amido hidrogenados), acesulfame-KAdoçar com poucas ou nenhuma caloriaInterferem na microflora intestinal, favorecendo a proliferação das “más” bactérias em detrimento das “boas”; enganam as papilas gustativas e fazem as pessoas pedirem comidas cada vez mais doces; estimulam a produção de insulina desnecessariamente; poluem as águas, já que não se degradam facilmente
Nitrosaminas (formadas com o superaquecimento de nitratos e nitritos)Nitrito e nitrato de sódio são usados como sais de cura para preservar carnes e evitar sua contaminaçãoNitrito e nitrato de sódio eram consi-derados nocivos, porém recentemente foram em parte reabilitados. Já a Nitrosamina, que se forma com o superaquecimento de nitritos e nitratos, tem comprovada ação cancerígena
SulfitosManter frescor de frutas e verduras; evitam fermentação e descoloração de frutas secas e vinhoReações alérgicas e asma
BHT e BHAAção antioxidante em produtos gordurosos para evitar rançoAgente cancerígeno
BenzopirenoDefumação artificial de carnes, peixes, presuntos e embutidosAgente cancerígeno
AcrilamidaÉ produzida com o aquecimento de  ali-mentos a mais de 120°CNeurotóxico e agente cancerígeno em pesquisas com animais
Corante tartrazina-amareloUsado em iogurtes, gelatinas, refrigerantes, biscoitos, etc.Pode causar reações alérgicas, como asma, bronquite e rinite; náuseas; bronco-espasmo; urticária, dermatite e dor de cabeça. Em crianças, pode provocar insônia e falta de concentração.

Observação: Nem todos os aditivos alimentares são tóxicos, pelo menos não há pesquisas que eu conheça endossando ou refutando sua toxicidade. Imagino que nem todos tenham sido devidamente testados e são liberados para consumo baseados na “presunção de não-toxicidade” até prova em contrário. Pesquisas em humanos e em longo prazo não são somente caras e eticamente controversas, mas também de conclusões duvidosas, visto que forçar os participantes a consumir alimentos com um determinado aditivo por um certo tempo os tira de sua vida normal, e condições de vida artificiais por si só interferem nos resultados.

Nota: Os aditivos alimentares são frequentemente especificados conforme o código INS (Sistema Internacional de Numeração) – substituído pela letra E na União Européia – seguida de 3 algarismos. Os corantes vão de 100 a 199 (por exemplo a curcumina tem código INS100 ou E100), os conservantes de 200 a 299, os antioxidantes de 300 a 321, etc. Os açúcares aparecem  com a terminação “ose” (como maltose, dextrose, galactose) e são muitas vezes usados em combinação num só produto, aumentando o conteúdo total deles. Ou aparecem sob nome genérico de edulcorante, que abrange tanto os adoçantes naturais como os artificiais.

Toxinas nos produtos de limpeza

ProdutoOnde é usadoO que provoca
FtalatosNas fragrâncias encontradas em quase todos os produtosAgente cancerígeno
Percloroetileno, tetracloroetilenoRemovedores de manchas, limpadores de carpetes, lavagem a secoÉ neurotóxico e possível cancerígeno
TriclosanDetergentes para louça, sabonetes antimicrobianosAgente cancerígeno, contribui para a resistência de bactérias a antibióticos
FragrânciasEm quase todos os produtosConsiderados “segredos” do fabricante, seus ingredi-entes não precisam ser discriminados; podem irritar as vias respiratórias e os olhos, e causar dor de cabeça, alergias e asma
BenzenoRepelentes, inseticidas, ceras líquidas, removedores, solventesPode ser cancerígeno

 

Toxinas no PVC e em medicamentos

O PVC é amplamente usado numa grande gama de produtos, desde brinquedos até artigos domésticos, em janelas e tubos, e em equipamentos industriais. Alguns produtos com diversas origens foram analisados numa pesquisa do Greenpeace, e detectou-se ftalatos, bisfenol A, cádmio, chumbo e organotin (compostos de estanho, como em latas). Usa-se milhares de aditivos diferentes para obter determinadas características do PVC (cor, resistência, elasticidade, etc.), e como estes aditivos não estão quimicamente ligados ao PVC eles podem ser liberados dos produtos à medida que são usados.

Mesmo em medicamentos se encontra metais pesados, como, por exemplo, o timerosal, um derivado do mercúrio, utilizado como conservante em vacinas, antissépticos, soluções de colírio, soluções de lentes de contato e produtos cosméticos como maquiagem para os olhos. Está presente também em aerossóis antissépticos, medicamentos tópicos e cosméticos.

Vote no que faz bem

Se é inviável eliminarmos ou filtrarmos todas as toxinas que nos cercam, podemos, sim, diminuir o seu consumo ao tomarmos alguns cuidados, como o de ler os ingredientes nos rótulos dos produtos e procurar alternativas mais saudáveis. Por exemplo, consumindo produtos “verdes”, ecologicamente corretos, orgânicos ou artesanais ainda que sejam mais caros na hora da compra, pois o custo para a saúde no longo prazo certamente será bem menor. Além disto, estimulamos o surgimento de novos produtos e empreendimentos e a melhoria de produtos já existentes, já que estaremos votando com o nosso dinheiro: votando naquilo que achamos bom e do qual queremos mais!

E melhor ainda é apoiar e participar de movimentos ou iniciativas que visem controlar rigidamente o uso de produtos tóxicos para assim melhorar a saúde do planeta e de todos os seres vivos que o habitam! Somente com a mobilização para a defesa da natureza será possível coibir o poder econômico e político de grupos cujo intuito é vender sempre mais e aumentar os lucros, mesmo que às custas da preciosa saúde nossa e do planeta!

Caso tenha dúvidas ou queira comentar este artigo, por favor use o espaço abaixo.

Fontes – partes I e II:

http://www.who.int/ceh/capacity/v1_POPs_poluentes_organicos_persistentes.pdf?ua=1

http://www.funverde.org.br/blog/dez-toxicos-domesticos-mais-comuns

http://www.noticiasnaturais.com/2015/01/5-produtos-quimicos-domesticos-comuns-a-serem-evitados

http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Noticias/greenpeace-denuncia-presen-a-d

http://www.shareguide.com/toxichome.html

http://www.livestrong.com/slideshow/1009222-worst-chemicals-food/#slide=1

Compartilhe:

Deixe seu comentário: