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Alimentação e digestão

Os diversos impactos de suas opções alimentares

06/03/18 - Escrito por: ines

Todas as nossas opções alimentares provocam inúmeros impactos: sobre a nossa saúde física e mental, sobre o meio ambiente, sobre a economia, sobre a política, sobre a cultura. Como não vemos ou sentimos as consequências destas nossas decisões imediatamente, tendemos a achar que elas não existem. Mas elas são inevitáveis, para o bem ou para o mal.

Opções alimentares e saúde

Se você decide comer um pacote de salgadinhos comprado no supermercado você estará se alimentando mal. Salgadinhos tem poucos nutrientes, são feitos com gorduras vegetais ultraprocessadas e geralmente trans, além de conterem montes de conservantes, colorantes, e outros “antes” com os quais nosso organismo não sabe o que fazer. Mas eles também são gostosos, pelo menos para quem tem o hábito de comê-los. Quem não costuma consumi-los geralmente não sente a mínima falta deles.

É claro que você tem o direito de gostar de salgadinhos e de se sentir feliz ao comê-los (se não pensar nas consequências). E isto deixa mais feliz ainda os engenheiros de alimentos que trabalham duro para deixar os produtos alimentícios cada vez mais palatáveis. Ou seja, com gosto de quero-mais. Para isto eles capricham no sal, no açúcar e na gordura, que é a mistura infalível para criar vícios. Ou seja, a indústria programa nossos cérebros à distância pois sabe como funcionam nossos hormônios e neurotransmissores responsáveis por nossos humores e estados mentais. Assim conseguem nos deixar felizes com produtos que vão deteriorar a nossa saúde. Mas como não são responsáveis por esta, querem mesmo é vender cada vez mais e ver suas ações subindo na bolsa.

Mas se você decide comprar uma banana numa feira livre de produtos orgânicos você estará comprando um alimento que vem da natureza (e não de uma fábrica). E tem muitos nutrientes do qual seu organismo necessita para funcionar bem, além de não ter agrotóxicos nem aditivos químicos que se acumulam em seu organismo. Você pagará menos por ela, pois o preço/kg de banana orgânica é bem inferior ao preço/kg de qualquer salgadinho. Se você costuma comer bananas, as achará super gostosas e assim quererá consumi-las sempre.

Impactos sobre o meio-ambiente

Os salgadinhos e demais produtos industrializados contribuem para a poluição ambiental, pois mesmo a reciclagem da embalagem (se ela for reciclável e colocada no lixo reciclável) custa energia. O transporte muitas vezes longo do produto até o ponto de venda também custa energia e polui o ar. E a fábrica que produz o produto gasta energia e muita água para fabricá-lo, além de produzir montes de subprodutos indesejáveis.

Mas se você decide comprar uma banana numa feira livre de produtos orgânicos você pode evitar embalagens e sacolas plásticas se levar suas próprias sacolas. Você também estimulará o pequeno agricultor a continuar plantando nossos alimentos e cuidando da terra. A terra saudável é um recurso finito sem o qual nós humanos não sobrevivemos. Adicionalmente você pode estabelecer um contato com um indivíduo diretamente responsável por sua sobrevivência, e não consumir produtos feitos por ilustres anônimos. O interesse do consumidor pela vida e atividade do produtor agrícola pode ser enriquecedor para ambos os lados, e é bastante comum em alguns países europeus e dos EUA.

Agronegócio X pequeno agricultor

A maioria dos grãos, como milho, soja, trigo, etc., e também a cana-de-açúcar, são plantados em monoculturas. Estas fornecem matérias-primas para a produção de alimentos ultraprocessados ou para rações usadas na criação intensiva de animais. Essas culturas dependem de grandes extensões de terra, do uso intenso de mecanização, do alto consumo de água e de combustíveis, do emprego de fertilizantes químicos, sementes transgênicas, agrotóxicos e antibióticos e do transporte por longas distâncias.  Consequência disto é a degradação e a poluição do ambiente e a redução da biodiversidade. Mas também o comprometimento de reservas de água, de energia e de muitos outros recursos naturais.

Já as hortaliças são plantadas por pequenos agricultores familiares que não tem tantos recursos, então costumam usar menos agrotóxicos, que são caros.  Praticam a rotatividade de culturas para dificultar a atividade das pragas e não usam máquinas na colheita, que é geralmente feita manualmente. Assim contribuem para a diversidade da agricultura e a saúde da terra e geram mais empregos. Os agricultores orgânicos tem também a preocupação de manter parte de suas propriedades com vegetação nativa, e assim contribuem para a biodiversidade.

Opções alimentares e a economia

A indústria alimentícia argumenta que facilita o acesso a alimentos e assim contribui para acabar com a fome mundial. Isto é certo, já que a maioria dos produtos frescos e integrais tem validade curta e deteriora antes de chegar a regiões distantes. Especialmente os enlatados são uma opção para quem não tem acesso a alimentos frescos.  Além disto, a indústria gera empregos e paga impostos.

Mas a indústria alimentícia também faz uso de propagandas enganosas e pouco éticas, ao iludir os consumidores. Por exemplo, ao dar a entender que as fórmulas (em pó) para bebês são tão boas quanto o leite materno. Mencionar em letras mínimas que a preferência deve ser dada ao leite materno é tão hipócrita quanto recomendar “Beba com moderação” nos comerciais de bebidas alcoólicas. Também ludibriar pais com chamarizes tipo “enriquecido com xxxx” ou “contém a dose diária de yyy” é desonesto, visto que os pais pensam estar comprando um produto que fará bem para a saúde dos filhos, quando na verdade existem opções bem mais saudáveis e baratas. Ou vender produtos com características de conotação positiva, como “natural” ou “livre de zzz”. Omitem que contém igualmente diversos ingredientes pouco salutares.

A indústria alimentícia consegue montar uma rede de distribuição que chega aos pontos mais remotos através de mercados flutuantes ou ambulantes e carrinhos do tipo carrinho de sorvetes para oferecer seus produtos. Assim atuam junto a uma população geralmente pobre e desinformada sobre o que seja uma alimentação saudável.

Impactos políticos e culturais

O consumo é sempre um ato que expressa uma vontade, e assim é político, pois através dele sinalizamos o que achamos bom. Enviamos a mensagem para o fabricante que gostamos de seu produto e queremos consumir mais dele. Se consumirmos salgadinhos, estaremos informando ao fabricante que aprovamos seu produto. Se consumirmos uma banana, o produtor receberá a mesma mensagem e ambos agirão de acordo, ou seja, produzirão mais do produto em questão. Assim, consumir muda o mundo – por menor que seja a decisão, ela terá algum impacto.

Se nossas opções alimentares são determinadas em parte pela cultura em que fomos criados ou vivemos, elas também moldam esta cultura, adaptando-as às constantes mudanças. Devido à onipresença da indústria alimentícia em cada vez mais modalidades de alimentos, do ingrediente às refeições prontas, está ocorrendo uma padronização dos alimentos e dos gostos alimentares. O mesmo efeito tem as cadeias de fast food, que oferecem o mesmo cardápio no mundo inteiro com pequenas adaptações ao paladar local. Assim muita gente hoje, especialmente as mais jovens, só se alimentam de um número restrito de pratos. É o que conhecem, e assim acabam se alimentando mal e com pouca diversidade. Suas papilas gustativas não puderam se acostumar a diferentes sabores, então as rejeitam.

Opções alimentares que impactam positivamente

Felizmente existem movimentos como o Slow Food que procuram resgatar e manter vivas as receitas tradicionais. Eram servidas por nossas avós nos almoços dominicais que reuniam toda a família. Ou também apoiam pequenos produtores que plantam produtos pouco convencionais ou que fabricam artesanalmente algum produto tradicional (como os queijos de leite cru, proibidos pela ANVISA).

Para fazer bem à sua saúde e ao meio-ambiente, prefira alimentos frescos e integrais, de preferência orgânicos. E, acima de tudo, aprenda a cozinhar! Só assim terá controle sobre o que está comendo e não delegará as decisões alimentares às indústrias preocupadas com o próprio lucro, e não com sua saúde. Preparar a própria comida é um ato de liberdade e independência, além de proporcionar uma fonte de prazer sensorial. Não se deixe seduzir pela comodidade que oferecem os supermercados abertos a qualquer hora oferecendo montes de produtos que é só abrir a embalagem e começar a comer. Só assim poderá reduzir os impactos negativos de suas escolhas alimentares.

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