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Corpo, mente e espírito

Saúde é mais do que ausência de doença

03/07/17 - Escrito por: ines

Diz a Constituição da OMS – Organização Mundial da Saúde: A saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não consiste apenas na ausência de doença ou enfermidade. Esta definição holística deveria constituir a base para qualquer intervenção que promova a saúde humana, mas não é o que se vê na prática. Os sistemas de saúde lidam com a quantidade negligenciando a qualidade (como através de triagens), fazem pouco ou nada pela prevenção e são manobrados por operadoras de saúde e a indústria farmacêutica. Os profissionais da saúde são o elo mais fraco nesta constelação e assim não conseguem prestar o devido atendimento à razão de ser do sistema: o ser humano.

Assim a gestão da saúde passa a ser a gestão de doenças. Dizem que na China antiga o bom médico era aquele que tinha pacientes saudáveis – o que faz todo o sentido e deveria ser a filosofia de qualquer sistema de saúde. Ter pacientes saudáveis, então, não significa que o médico não trabalhe – ele só muda o foco para a prevenção, em vez da medicação. Uma boa prevenção evita sofrimento desnecessário e diminui o custo dos sistemas de saúde.

Não se trata aqui de diminuir a importância da medicina convencional/alopática, que é insubstituível e a única capaz de salvar vidas em situações de ameaça à vida agudas (infartos, AVCs, etc.) ou acidentes, quando cada minuto, a tecnologia disponível e o preparo do profissional de saúde fazem toda a diferença, ou em especialidades como a ortopedia, a oftalmologia e a cirurgia (quando realmente necessária). Onde a medicina convencional nem sempre oferece a solução adequada é no caso de doenças crônicas, visto que sua principal terapia é, em primeira linha, a medicamentosa, ficando as alterações do estilo de vida, que podem impactar a qualidade de vida do paciente tanto quanto ou mais que os medicamentos, em segundo plano. Por outro lado, muitos pacientes com doenças crônicas não querem mudar de estilo de vida, e para estes a medicina convencional não deixa de ser a melhor opção.

Auto cuidados como fonte de saúde

A proposta deste site é estimular os leitores a cuidarem do próprio bem estar, não só porque o sistema de saúde nem sempre oferece a solução adequada, mas também porque não há ninguém melhor para fazê-lo (o que não exclui a ajuda de especialistas). Saúde não acontece nos consultórios ou hospitais, mas sim no dia-a-dia, em casa, nas escolas, nas empresas, nos parques, etc. e depende muito mais do nosso estilo de vida do que dos cuidados médicos recebidos. Se a grande maioria de nós nasce saudável, por que um dia deixamos de sê-lo?

Atribuir a falta de saúde ao desgaste natural do organismo, à idade avançada ou aos genes é uma simplificação. Primeiro, porque há, sim, pessoas idosas super saudáveis, e segundo porque muitas doenças crônicas começam a se manifestar cedo, já na 4º ou 5º década de vida (síndrome metabólica, pré-diabetes, hipertensão, hipercolesterolemia, etc.). Sem ignorar a carga genética, sabe-se hoje que a saúde depende mais de decisões acertadas que promovem o bem estar do que dos genes. Resume o Dr. Robert Graham em uma palestra do TEDxManhattan: “80% das doenças crônicas são evitáveis com mudanças no estilo de vida”.

Proponho, então, ampliar o conceito de saúde para algo como vitalidade total, ter energia e disposição física, mental e emocional para fazer tudo que queremos. É ver a própria vida como um processo que faz sentido e sobre o qual temos controle, gerando a capacidade de lidar com as mudanças constantes. É a habilidade de viver nossos sonhos independentemente das circunstâncias. Esta definição não exclui dor, desconforto, doença ou deficiência, já que dá para ter uma vida plena e feliz apesar destes obstáculos.

Saúde é ter energia

E para realizarmos tudo que queremos precisamos de energia. Para poder gerá-la, nosso organismo depende de uma boa alimentação e do bom funcionamento do aparelho digestivo, além da saúde de algumas glândulas e das próprias células, onde energia é gerada através de processos químicos.

  • Se comermos as coisas erradas, pobres em nutrientes – como alimentos industrializados, frituras, doces, pães, biscoitos, torradas, etc. – nosso organismo não receberá os nutrientes de que precisa para executar todas as suas funções, e com a subnutrição poderão aparecer sintomas dos mais diversos, como fadiga, aumento de peso, pré-diabetes, dores, insônia, alergias, problemas digestivos, ansiedade e depressão, etc. Quando faltam aminoácidos (obtidos das proteínas que comemos), por exemplo, tecidos, músculos, células, neurotransmissores, enzimas, etc. não podem ser sintetizados ou reparados, causando inúmeras disfunções.
  • Se a digestão não funciona bem, o intestino não conseguirá absorver nutrientes suficientes, apesar de uma eventual boa alimentação. Possíveis causas: a) a insuficiência do ácido hidroclórico produzido no estômago (e que tende a se acentuar com a idade) ou escassez de enzimas digestivas, ou b)  um desequilíbrio da flora intestinal (microbioma), resultante da ingestão de antibióticos ou comida industrializada, impedem que os alimentos sejam aproveitados totalmente. Os sintomas são semelhantes aos do ponto anterior, podendo aparecer tanto no trato digestivo, como longe dele, em qualquer outro órgão. Também c) sensibilidades alimentares, que provocam inflamação do intestino e permeabilidade do mesmo, impactam negativamente a digestão e provocam a reação do sistema imunológico, desregulando-o, e assim levando a mais inflamações. Sintomas que não costumamos levar a sério, como o nariz escorrer ou a garganta coçar quando se come determinado alimento podem sinalizar estas sensibilidades.
  • Se regularmente sentirmos fadiga logo cedo ou a qualquer outra hora do dia, insônia ou ganho de peso pode ser sinal de mau funcionamento das glândulas suprarrenais. Estas produzem cortisol (o hormônio do estresse), adrenalina e noradrenalina e parte dos hormônios sexuais (além de muitos outros hormônios). Quando temos estresse crônico, as suprarrenais se esgotam/desregulam de tanto produzir cortisol – veja mais detalhes AQUI
  • A  tireoide regula a energia que temos à disposição ao regular a taxa metabólica (velocidade do metabolismo) e com isto todas as funções, órgãos e sistemas do organismo. Em casos de hipotireoidismo (metabolismo lento) menos energia é produzida e o sistema imunológico também ficará mais lento, deixando o organismo mais suscetível a doenças. Sintomas como unhas fracas ou pele seca podem sinalizar hipotireoidismo, como também o fazem a má cicatrização, a depressão, a constipação, dores e fraqueza musculares, entre outros. 
  • As próprias células, onde é gerada energia a partir de glicose, podem estar funcionando mal devido a toxinas ou metais pesados presentes no organismo, cuja desintoxicação é feita por fígado, rins, pulmão, pele, sistema linfático. Quando algum destes está congestionado ou danificado (o fígado, por exemplo, pode ficar congestionado quando a digestão é ruim), não consegue cumprir seu papel e ficamos cada vez mais intoxicados. As toxinas e metais pesados estão no ar que respiramos, na comida que comemos (quando não é orgânica), nos produtos de higiene pessoal ou de limpeza que usamos e em muitos dos produtos que usamos ou a que estamos expostos no dia-a-dia (plásticos, panelas de alumínio, brinquedos, carpetes, tintas, etc.). Veja mais AQUI. Cansaço e outros mal-estares são a consequência.

Doenças crônicas não aparecem de repente

Fica claro com estes exemplos que todos os sistemas e órgãos são interligados, e por isto o mau funcionamento de um deles acaba afetando um ou vários outros, num processo em cascata. Disfunções crônicas do organismo não aparecem de repente, mas geralmente evoluem devagar – tumores, por exemplo, levam em média 6 anos para atingir 1mm de tamanho, que é quando conseguem ser detectados em exames de imagem, mas o processo pode levar até décadas. Doenças crônicas evoluem lentamente, durante 20 a 30 anos. Já o/s órgão/s ou tecido/s afetados dependem da genética que determina os pontos fracos de cada um, fazendo com que o estresse, por exemplo, possa contribuir para uma depressão em uma pessoa, diabetes numa segunda e problemas digestivos numa terceira.

Os exames laboratoriais, como são interpretados pela medicina alopática, não contribuem muito para prever doenças e não levam a conclusões obrigatoriamente significativas, uma vez que os dados são obtidos a partir dos exames feitos por uma população geralmente doente (exceção são os que fazem check up e podem estar saudáveis). Os valores de referência são obtidos através de tratamento estatístico dos valores coletados e geralmente se mostram amplos demais, uma vez que ao atingir o limite do valor de referência o indivíduo é considerado doente e medicado. Valores de referência não são o mesmo que valores ideais. Se fossem usados os últimos, muitas doenças poderiam ser evitadas, uma vez que desvios do valor ideal sinalizam uma tendência a desenvolver uma ou mais doenças em longo prazo, que muitas vezes podem ser evitadas com simples intervenções no estilo de vida, evitando que a doença crônica se manifeste e exigindo medicação para o resto da vida.

Outros tipos de medicina

A medicina funcional, do estilo de vida, integrativa ou ambiental tem seu foco justamente na prevenção e se valem de outras interpretações de exames ou tipos de exame (como a pouco usada termografia), com o que tem obtido resultados notáveis no diagnóstico, prevenção ou mesmo reversão parcial ou total de doenças crônicas já existentes (o termo cura não pode ser utilizado por especialidades não reconhecidas no país).

Há, também, sinais que o corpo nos envia, mas que não costumamos observar e/ou dificilmente sabemos interpretar. Afinal, nunca nos foi ensinado a prestar atenção no próprio corpo, e na correria do dia-a-dia não temos tempo para prestar atenção num corpo que foi feito para nos servir. Ou estaríamos melhor se nós o servíssemos? Afinal, é o único que temos. Este site trará mais informações a respeito.

Atenção: não se trata de criar doenças onde elas não existem, mas sim levar os leitores a se cuidarem melhor, observando-se e procurando saber mais sobre o significado de sintomas aparentemente insignificantes. Infelizmente são raros os especialistas que poderão nos apoiar na tarefa, já que a maioria não foi treinada para isto, mas felizmente já contamos com alguns poucos profissionais das áreas mencionadas acima.

Já previa Thomas Edison, o inventor da lâmpada elétrica, há uns 100 anos atrás:

“O médico do futuro não receitará remédios, mas despertará o interesse de
seus/suas pacientes para o cuidado com o corpo humano, para a dieta adequada
e para a causa e prevenção de doenças.”

Este futuro ainda não chegou, mas podemos fazer a nossa parte para que nos alcance logo, dando preferência a profissionais da saúde que dêem tempo e atenção para nos ouvir e levem em conta nossa história e ambiente em que vivemos. O médico do futuro seria, então, um educador, mentor e parceiro, que nos assessoraria na condução de um projeto comum – o nosso projeto de vida. Não seria ótimo?

Caso tenha comentários ou dúvidas, por favor use o espaço abaixo. Desde já agradeço.

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